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id da página: 9963 Hermetismo Cristão|HERMETISMO CRISTÃO MEDITAÇÕES SOBRE O TARÔ

Taro Logos

Vejamos, em primeiro lugar, quais são, no domínio da experiência, os efeitos ou frutos da aspiração ao conhecimento do Logos e quais os da aspiração ao contato com Jesus, o Mestre.


Notemos que não foi a revelação ou o conhecimento do Logos cósmico que deu força a esse impulso espiritual novo manifestado nos apóstolos, nos mártires e nos santos e que chamamos "cristianismo", mas a vida, a morte e a ressurreição de Cristo. Não foi pelo nome do Logos que os demônios foram exorcizados, os doentes curados e os mortos ressuscitados, mas pelo nome de Jesus (At 4,12; Ef 1,21; Fl 2,9. 10.11), "que é sobre todo o nome, para que, ao nome de Jesus, se dobre lodo joelho dos seres celestes, dos terrestres e dos que vivem sob a terra, e, para a glória de Deus, o Pai, toda língua confesse: Jesus é o Senhor".

Foi o contato com a pessoa de Jesus que desencadeou a corrente de milagres e conversões. Hoje sucede o mesmo.

Quanto ao Logos cósmico, a sua ideia não era nova nem surpreendente no começo do cristianismo. Os hermetistas helenistas (Poimandres), os estoicos e Fílon de Alexandria já tinham dito quase tudo o que se podia dizer sobre ele em termos filosóficos, gnósticos e místicos. Por conseguinte, são João não se propôs apresentar em seu evangelho nova doutrina do Logos, mas dar testemunho de que o Logos "se fez carne e habitou entre nós".

Foi Jesus quem deu à ideia do Logos o calor e a vida, que criaram o cristianismo, enquanto a ideia do Logos dos sábios antigos, embora verdadeira, não tinha esse calor e essa vida. Nela havia luz, mas a magia estava ausente.
No domínio moral e espiritual, no qual o que conta é só a qualidade, um Justo vale mais do que a nação inteira, se se trata não de sacrifício voluntário, mas da pessoa que se quer sacrificar. Assim, no domínio espiritual e moral, esse princípio lógico pode transformar-se em seu contrário: "a parte é mais do que o todo".


Esse exemplo mostra quanto a operação da "lógica moral" ou da lógica material e qualitativa, difere da lógica formal e quantitativa. É do conflito entre a lógica do Logos e a "deste mundo" que fala o apóstolo Paulo quando diz:

"... levaram vida errante, vestidos com peles de carneiro ou pelos de cabras; oprimidos e maltratados sofreram privações. Eles, de quem o mundo não era digno, erravam pelos desertos e pelas montanhas, pelas grutas e cavernas da terra ..." (Hb 11,38).

A "lógica moral" é a analogia humana da do Logos, "que ilumina todo homem que vem ao mundo" (Jo 1,9). É a lógica da fé, isto é, a lógica do pensamento que participa da revelação concedida à vontade. A "lógica moral" introduz o calor na luz do pensamento, que, de lunar que era, quando tinha só a luz fria, sem calor, torna-se então solar.

"Intelectualiza-se a imaginação disciplinando-a e submetendo-a às leis da lógica moral". Isso significa que deve ser aplicada uma especia de ascese à vida da imaginação, para se transformar seu fogo arbitrário em trabalho inspirado e dirigido do alto. É ao simbolismo que cabe aqui o papel principal, preparador e educador. Porque o simbolismo é simultaneamente imaginativo e lógico, mas a sua lógica é a "lógica moral".

Assim os Arcanos do Tarô constituem uma escola prática de educação da imaginação, a fim de torná-la capaz de participar da revelação do alto em pé de igualdade com o pensamento "solarizado" e com a vontade "zodiacalizada". Ela se intelectualiza então, isto é, perde o calor febril que lhe era próprio e se torna luminosa; "seleniza-se", torna-se "lunar" como era a intelectualidade antes de sua "solarização" pela lógica moral. A oração pelas almas do purgatório: Locum refrigerii, lucis et pacis dona eis, Domine ("um lugar de refrigério, de luz e de paz dai-lhes, Senhor") exprime bem o que é necessário à imaginação para que ela se abra para a reflexão e abandone a fantasia.